sexta-feira, 19 de junho de 2009

Carta para Bella

Minhas mãos estão concluídas: Tenho tinta, incontáveis folhas e a poesia anuncia-se inevitável.

A composição de toda demência de um sentimento de ternura, este encanto ansioso disfarçado de dor; Protejo-me do frio que submerge meu tronco, consolando-o com o alento que meu peito produz. Tenho-lhe um amor juvenil, permanente e subitamente todos meus desejos transformam-se nos seus; Aqueles quais presumo saciar-lhe por completa, esta é a minha cobiça! Entregar-lhe insuperáveis comprovações de lirismo real, concebidos para seu incondicional estarrecimento, esta é minha euforia; Vasculhar com profunda delicadeza sua alma e tê-la estabelecida aos céus, esta é minha fortuna.

Porquanto quero me perder em nosso tempo e suarmos em nossos corpos, produzirmos dedicação e recomeçarmos todos os dias. Pretendo abrir mão de meu sono em cuidado ao seu receio da noite e mantê-la-ei sempre intacta, este é o meu encargo. Quero criar poesias, inócuas, ambiciosas em referir-se ao meu amor, em vão... Entre auxílios e leitura, o cálice que me entregara dá-me indescritível ausência de apreensões, onde concentro todo meu silêncio e meu tumulto.

E a poesia é produzida... O anúncio não obteve escapula, as linhas emergiram de um sentimento tanto que os dedos são tremidos mesmo na composição. Este amor que alagara minhas ruínas e obvia minha trajetória. Quero repousar estas mãos que tremem por sua existência, deixar-lhes pacíficas: Tu e as mãos que estendo delicadamente em direção ao teu rosto, esta é minha veleidade.

A mulher de outrora ausente desnuda-se em delicados movimentos. Êi-la cuja iminência trás-me engenho, cuja sombra produzida apazigua-me em comedimento. Êi-la tão evidentemente única, cuja presença exclui quaisquer necessidades distraídas. Êi-la impoluta, posta em amparo... Silenciosa e rumorosa envida-me em segredo ao compendio de nossas realidades, dona das mais modestas réplicas às dúvidas de minha vida, êi-la que me tem subalterno ao derradeiro amor de minhas poesias, minha estarrecida e inalterável paixão.
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Luiz Felipe Angulo Filho