quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Motivo

A programação cultural do centro de São Paulo, ainda, traz-me mais inspiração... Paris trouxe-me emudecimento, euforia, inspiração contida cuja manifestção, algum dia, se dará. O mesmo por outros cantos que pude passar no último mês, mas é por aqui que ainda encontro meu conforto. As poesias de Chico são frequentes, Sampa, Vinícius, Pixinguinha, Cartola, Elis... Não quero, e não vou, de forma nenhum desfazer ou armar quaisquer comparações entre os nossos e os outros, entretanto, são eles que são testemunhas de minha infância, adolescência e da vida que tenho, enquanto os outros são grandes, incontestáveis, entretanto de amizade nova.

...

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles