Eu amo porque é o que noto
e esta lástima me escolta
Quero teu namoro, ser eu de novo
A coisa que a ti importa
Anômalo faz-se o escoltar
o colóquio de seu desvelo
Habitual são as insídias, celeumas
que nos trairdes o canteiro
Se o instante, caso o tempo
se o começo, caso o fim
pretendo irrevogável que saibas
o quão, sempre, a almejo em mim
Alcanço que devasto,
este plácido período de apreço
Ocorres que meu mal é a poesia,
enquanto o seu mal desconheço.
Luiz Felipe Angulo Filho
Proporcionar a todos os usuários e fundamentalmente para mim, um módico arquivo digital de cultura. Esta é a razão de ser deste Blog. Intervenções precisas, como fez Camões, sem manter um verso em falso; Lamentos de amor de Vinícius, em prosa e verso, falado e cantado; a Esquizofrenia contagiosa de Pessoa; as letras soberanas de Chico Buarque; Os conselhos ditados por Drummond; E por fim, algumas das bestialógicas quais produzo em linhas pretenciosas, todavia bem intencionadas.
terça-feira, 10 de maio de 2011
domingo, 20 de março de 2011
Sujeito
Não tenho canto nem tempo.
Este enredo já exaurido de rotina
Tergiversa minha liberdade.
Não tenho esconderijo...
Pelas paragens não posso, senão, conviver.
Meus ensaios fracassados de sobrepujar as intercessões
Mostram-me que ainda tenho vida, porém sem canto e nem tempo.
Quem dera eu ter refúgio algum...
Lugar meu sem cães de companhia
Desejo viver não isolado, todavia em paz.
O que ladra me priva do silêncio,
Donde elucubro e assento-me em atitude de fala.
A paz deve ter, creio, algo de sigiloso.
Os conflitos horários solvam a reflexão,
Apresam em recinto invasivo e, sim,
Desta resistência se faz a morte, não vida.
Luiz Felipe Angulo Filho
Este enredo já exaurido de rotina
Tergiversa minha liberdade.
Não tenho esconderijo...
Pelas paragens não posso, senão, conviver.
Meus ensaios fracassados de sobrepujar as intercessões
Mostram-me que ainda tenho vida, porém sem canto e nem tempo.
Quem dera eu ter refúgio algum...
Lugar meu sem cães de companhia
Desejo viver não isolado, todavia em paz.
O que ladra me priva do silêncio,
Donde elucubro e assento-me em atitude de fala.
A paz deve ter, creio, algo de sigiloso.
Os conflitos horários solvam a reflexão,
Apresam em recinto invasivo e, sim,
Desta resistência se faz a morte, não vida.
Luiz Felipe Angulo Filho
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Homônimo
Diante da morte a vida é mandatória
A possibilidade de um fim, quiçá súbito,
Creio, faz da respiração uma atividade benta
Jazer em vida exige certo querer ser ditoso,
Coisa insuficiente...Ponderada e assolada pela indigência
De ser apenas o que os seguintes cobiçam de nós.
Ante a possibilidade do riso, o amor se deriva.
O abatido que persiste em não ser, não ama:
Não ama primeiramente a si.
E se conduz como quem sublima o medíocre
Tergiversa a racionalidade do juízo, que agasalha o corpo de auguras.
Deste modo a fortuna é reduzida a engano, engodo: coisa.
A vivência é ditada, não há liberdade em períodos de não encanto.
De modo impetuoso a convenção sobrepuja a genuinidade...
Eis que a poesia é ameaçada pela queima de calorias,
Os sorrisos são inventados e a paixão convalesce.
Diante da morte a vida é unívoca;
Homonímia: Tornam-se sinônimos.
A possibilidade de um fim, quiçá súbito,
Creio, faz da respiração uma atividade benta
Jazer em vida exige certo querer ser ditoso,
Coisa insuficiente...Ponderada e assolada pela indigência
De ser apenas o que os seguintes cobiçam de nós.
Ante a possibilidade do riso, o amor se deriva.
O abatido que persiste em não ser, não ama:
Não ama primeiramente a si.
E se conduz como quem sublima o medíocre
Tergiversa a racionalidade do juízo, que agasalha o corpo de auguras.
Deste modo a fortuna é reduzida a engano, engodo: coisa.
A vivência é ditada, não há liberdade em períodos de não encanto.
De modo impetuoso a convenção sobrepuja a genuinidade...
Eis que a poesia é ameaçada pela queima de calorias,
Os sorrisos são inventados e a paixão convalesce.
Diante da morte a vida é unívoca;
Homonímia: Tornam-se sinônimos.
...
Luiz Felipe Angulo Filho
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Meu Próprio Amor
O amor autêntico é efeito de alguma demência humana. Algo de não ter autoridade sobre o próprio corpo, conhecer que por de dentro da pele existem aparelhos sob alguma neurose, a consciência se emancipa do tronco e faz a função de persistir com lembranças sem quaisquer intermitências.
Os amantes se têm e se perdem; A nostalgia é coisa imediata e irremediável, dói n´alma tudo o que não é toque... Implica a convivência entre a coisa da possessão física, do ser próprio d´outra vida como a vida qual se faz carente doutra. Como há a propriedade mítica da ternura ambicionada para outrem: Felix post coitum!
Não amar é recusar a possibilidade do encanto. Há tanto de não-amor, que o justo deveria ser por regulamento exigido! Pessoas que amam regeneram-se, abreviando a docilidade dos corpos. O saldo do sentimento é o ser mais compassivo, pródigo e gentil. Os movimentos auferem suavidade ofertando estética aos cuidados dados pelas mãos e pelos versos.
O amante machuca, talvez tanto quão faça feliz... O fulano contaminado obtém tamanhas interferências da coisa amada, do sentido, que se move - por vezes – por palpites: Por insanidade de amor. O bicho se altera ao refletir no afeto distante...
Sobretudo o amante promove paz. Um estado majestoso de paraíso qualquer; O amado é contexto comum, bem como as saudades... E não se faz pela metade, dar ao outro algum meio-amor: A doença se agrava e pode, inclusive, dar-se por curada! O amor só existe se integral, quando inteiro! As dedicações outras que se ficaram, foram-se. O amor coevo sobrepuja invenções passadas, abastece o coração de esperança que se revela em carícias infindas e insuficientes.
O amor, por fim, jamais deseja o incômodo na coisa amada... O amante é altruísta e estufa-se em assistência ao amado. O que ama semeia certeza! Pois qualquer outra coisa desconforta e descumpre o expediente. O amor é acordo de almas, cujo corpo é artifício... Não se entende o amor, vive-o! E com a gratidão de quem o embolsou, com a persistência de saber-se ser divino e a beleza de compreender-se seres tu o seu próprio amor.
Luiz Felipe Angulo Filho
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Vazio, vazias...
As mãos que tenho reclamam sua ausência.
Angustia prodigiosa dos não saberes que tenho, de não crer se já a tive ao regaço ou se és parte distante de minha prosa?
De não saber por tamanha pretensão de decência, caso sua presença faz-se comum a este mundo vadio.
Amargura de ter eu mãos vazias...
Confundo-a diariamente por ignorância de seu nome.
Acho-a por cantos todos e esvazio-me em seguida: Não a noto.
Não sei de você, de sua biografia e apenas simpatizo com a ideia de que gostes de alguma poesia.
Quero-a tanto que sigo séquito de maneira imperdoavelmente marginal aos arredores das ruas. Faço-me cidadão ripário, todavia canso... Tardo, rejeito a conduta de ter paciência e abasteço-me de vinho em excesso.
Poderia seres tu alguém que está imediatamente ali, há estreitos de meus minutos
Ao invés, vaga indesculpavelmente alheia de meus braços.
Os tempos acumulam-se dando variação à temperatura e aos costumes,
No entanto obsto a sua vaga de mulher de poesia somente, de personagem de literatura... Cobiço eu reforçar sua existência por sua almejada existência, composta de perfume e aleatórios desacertos.
Quero eu poder ofertar-lhe sonetos e ter-te minha: minha olímpica namorada
Anseio entregar às mãos que reclamam presença e saudade
De uma paz de verdade, de uma vida de amores e mais nada.
Angustia prodigiosa dos não saberes que tenho, de não crer se já a tive ao regaço ou se és parte distante de minha prosa?
De não saber por tamanha pretensão de decência, caso sua presença faz-se comum a este mundo vadio.
Amargura de ter eu mãos vazias...
Confundo-a diariamente por ignorância de seu nome.
Acho-a por cantos todos e esvazio-me em seguida: Não a noto.
Não sei de você, de sua biografia e apenas simpatizo com a ideia de que gostes de alguma poesia.
Quero-a tanto que sigo séquito de maneira imperdoavelmente marginal aos arredores das ruas. Faço-me cidadão ripário, todavia canso... Tardo, rejeito a conduta de ter paciência e abasteço-me de vinho em excesso.
Poderia seres tu alguém que está imediatamente ali, há estreitos de meus minutos
Ao invés, vaga indesculpavelmente alheia de meus braços.
Os tempos acumulam-se dando variação à temperatura e aos costumes,
No entanto obsto a sua vaga de mulher de poesia somente, de personagem de literatura... Cobiço eu reforçar sua existência por sua almejada existência, composta de perfume e aleatórios desacertos.
Quero eu poder ofertar-lhe sonetos e ter-te minha: minha olímpica namorada
Anseio entregar às mãos que reclamam presença e saudade
De uma paz de verdade, de uma vida de amores e mais nada.
Luiz Felipe Angulo Filho
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Ditos Populares
Estas quadras são uma referência altamente pretensiosa ao "Espelho Mágico". Da mesma forma que conheci sonetos por Vinícius, prosa com Pessoa, agora as minhas quadras agradeço à Quintana da discutível inspiração que tive. Com tempo, pretendo incrementar o número destas quadras em contraponto aos ditos populares.
Engano
O tal que erra redondamente
com pesar, não está parado...
Lamento mais pelo erro do tal
que erra dentro de um quadrado.
Amizade
O aviso é boa coisa
do que podes haver comigo
mas só o aviso não basta
para tu seres meu amigo
Solidão
Imagino a companhia
Engano
O tal que erra redondamente
com pesar, não está parado...
Lamento mais pelo erro do tal
que erra dentro de um quadrado.
Amizade
O aviso é boa coisa
do que podes haver comigo
mas só o aviso não basta
para tu seres meu amigo
Solidão
Imagino a companhia
que o pobre deva ter ao lado
pra dizer: -Melhor é estar só,
do que mal acompanhado.
Luiz Felipe Angulo Filho
____________________________________
Ref.QUINTANA, M. Espelho Mágico. 1. ed. [S.l.]: Globo, 2005. [original escrito em 1945]
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
De viver sem problema
Não se abre mão, para uma boa vida
De uma poesia adequada, de boa linhagem
Vêem-se quais são os lamentos,
E ao invés de final, se altera a linguagem!
De romance feliz, para uma vida boa,
Não se ignora:
Faz-se choramingar de alegria,
E se houver rebeldia, o conto se aflora.
Para vida ser boa,
Bonito é ser da beleza!
Acordar dia-a-dia disposto,
Até espantar a tristeza.
Feliz de quem conseguir,
Seguir no caminho com muito poema:
Quando o coração se permite,
A se dar o convite de viver sem problema.
De uma poesia adequada, de boa linhagem
Vêem-se quais são os lamentos,
E ao invés de final, se altera a linguagem!
De romance feliz, para uma vida boa,
Não se ignora:
Faz-se choramingar de alegria,
E se houver rebeldia, o conto se aflora.
Para vida ser boa,
Bonito é ser da beleza!
Acordar dia-a-dia disposto,
Até espantar a tristeza.
Feliz de quem conseguir,
Seguir no caminho com muito poema:
Quando o coração se permite,
A se dar o convite de viver sem problema.
Luiz Felipe Angulo Filho
Assinar:
Postagens (Atom)