quarta-feira, 21 de julho de 2010

Soneto à Daniela

Quanta tristeza eu não tenho
Minha avenida de flores
Quanta pobreza que vejo
Aos que rejeitam amores

Quanta doçura a poesia
Trazes a vista do mundo
Quanta beleza, harmonia,
Pelos sonetos noturnos

Que alegria tenho eu
Poeta médio... Singela
A inspiração que escreveu

Linhas que, sim, se revela
O estro que enfim me deu
De ser poeta só dela
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Luiz Felipe Angulo Filho

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A morte do jugulo das fúcsias

Que pretensioso é o sujeito que se culpa pela autoria de um desacerto...
Só Deus, e veja quem, possa se dar a chateza do hábito da prudência
Os equívocos vêm-nos para que a vereda seja crescida,
Receba ajustamentos e nas próximas linhas não discorde repetidamente:
Mas se o for? Que mal o tem? Que mal?
...

A moléstia está na flagelação desmedida de destratar-se a si próprio por ter sido humano;
Está, a moléstia, quiçá no pranto, que obstrui a passagem da respiração que deveria abranger aos pulmões
Os imprecisos estão nas noites que não se repousa por não haver arranjo, pois houve o erro.
Ah... O erro! A imperdoável cinca que cometera...
Somente um errôneo é ajustado a caminhar a esmo,
Todos os demais não sentem a friagem, são imaculados e inatingíveis.
Sempre outrem, jamais oportunamente eu:
Eu desacerto, obstruo o acesso de meu hálito e passo agonias em camas macias.
...
Tudo, por ter sido de origem humana.
Não há sequer um acerto que eventualmente tivera o fulano cometido que podes sobrepujar a falha, a bobagem que para outro jogral ganha reforços.
Talvez não houvesse o desacerto se não houvesse a estupidez!
A improbidade do outro ser humano que lhe mira as unhas, como quem deseja que haja sofrimento de sangue para o autor da inadvertência.
E o errante, põe-se a falecer sufocado...
Lavado de lágrimas e morto de não se consentir repousar para o confinante e inevitável próximo descuido.
...
Luiz Felipe Angulo Filho

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Confronto

Se eu pudesse voltar o tempo
Pondo-o tenro, a saber o que igualmente me espera
Recuar não à estação de meninice
Entretanto à realidade que há pouco ainda era...

Ainda que se eu pudesse voltar ao segundo recente
O que contestou algo que minha idéia não diz...
Se eu pudesse voltar ao tempo de agora,
Este o qual ainda vejo-o feliz

Se eu pudesse, portanto, ao tempo voltar
Mudar minha maneira e ter-me, eu, então, diferente
Ver-me-ia encantado pelo embuste, pela bobice,
Pela despesa inútil em não viver, senão, olhando para frente.

Luiz Felipe Angulo Filho

segunda-feira, 1 de março de 2010

Casamento

Eu, poeta e hipocondríaco,
Recebo-te amargura como minha legítima companhia.
Prometo respeitar-te e até – quiçá – amar-te
Prometo ser arduamente fiel simplesmente na doença.
A saúde, desconheço...

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Prometo, então, a convalescência da pobreza das almas
Prometo ser-lhe rico em cálices
Atalhados pelas lamúrias que não saem
De um bardo de cristandade parcial.

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Eu, poeta e ambidestro,
Acolho-te tristeza de saber-se apenas
Recebo-te com a intimidade dos dias,
Dos largos experimentos de minhas idas
Havendo por testemunha minhas poesias
Hoje e por todos os dias de nossas vidas.

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E assim, pelo poder por mim investido
Declamo o autor ao invés de marido,
Comprometido por sua postura inquieta
Envolvidos para sempre, como poesia e poeta
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Luiz Felipe Angulo Filho

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Discurso ao descobrimento da insônia

Parece que faz anos desde que nasci
Os últimos dias deste hábito em que me perturbo
São descritos pelo vinho e pela descrença:
Desacredito no amor.

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As notícias são graves, trago ciência...
Todavia fui exposto a ver-me embriagado desta lucidez que atalha meu sono
Dar-me respostas lacônicas sobre as esperanças da vida,
A dissimular de modo perverso os eventuais devaneios de minha experiência.

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De infância fui punido por sonetos de Vinícius e minha meninice parece ter existido apenas em retratos.
Falo de amor há mais tempo que o conheço e invento alentos mesmo antes de fazer caso em ser alguém social.
Nestes anos tantos de tempo pouco, tive postura de amante:
As mulheres que foram de minha vida deram-me companhia e desgosto; Prazer e perguntas.
Seja por madureza ou urgência de alimento, vejo o amor existir somente em camadas de páginas de livros romanescos de pouco compromisso com a autenticidade, entretanto como uma figura de linguagem em disseminar a espera.

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A inclinação ao amor que ocupou as poesias precipitadas da vida que tenho apenas se mantém entre meus genes e minha abrasadora vaidade.
As linhas que ocupei descrevendo romances expõem um anseio que desconheci.
Afirmo permutar as mensagens metafóricas de amor por alguma realidade, qual, meramente, não tenho convicção em ter idolatria.
O amor que persiste é de ceguidade natural dos presunçosos: Breve.

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Devo amar e oferecer amor, mas atesto meu ateísmo quiçá não no sentimento, contudo em sua sobrevivência!
Espontaneamente a leitura, tal qual a invenção de páginas, é-nos - a todos- mais deleitável ao referirmo-nos a quimera; Ao que deveria ser sem necessidade de estímulos: Miragem.
Parece que faz anos desde que nasci, contudo existo: Tento poemas e me embriago.
Tenho ânsias e empreendo faltas diárias. Eis minha comprobação de vivência.
Má sorte do amor fenecido e dos vivos que embora resistam em enleio e em letargia
Têm apenas a alternativa inevitável entre a fraude (do amor) ou a insatisfatória e severa realidade.

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Luiz Felipe Angulo Filho

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A guerra da prescrição ideológica

A diversidade é um dos bens mais resignados da história da humanidade. Neste ponto, polígamos, bissexuais, diplomatas e o vira-casaca têm vantagens sobre vegetarianos, religiosos e militares. - Eu tive a sorte de ter pais separados e, portanto, duas famílias. - Entretanto, o indivíduo ao invés de enxergar a oportunidade em ter sua compreensão de mundo ampliada, tendo acesso a informações e novas culturas – inclusive -antagônicas como nosso cérebro pretensiosamente nos dá permissão, o conforto em ter a verdade pouca de uma vida rasa abriga esta humanidade que compartilha vida comigo.
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E assim, a verdade é fragmentada entre tribos. A verdade é uma variável de com quem se fala, local e data de nascimento. Contudo, consta no dicionário que “verdade” além de um substantivo feminino, refere-se à qualidade do que é verdadeiro. Eis uma tautologia um tanto quanto inevitável, todavia o ponto é que estas cabeças perdidas no mundo persistem em não se perderem pelo mundo! Em detrimento ao que Nietzsche esperava da evolução humana e consentindo com a descrição medíocre que o alemão sugeria do ser humano, o sujeito e seus bandos andam por aí sendo pouca coisa. Michel Foucault tem uma frase que diz “A verdade é apenas um erro que ainda não foi refutado”. E o que vejo é um arrazoado de gente sendo coagida e terceirizando suas opiniões sobre tudo! Há casos onde a interferência pela posição de um grupo, a coação sobre um indivíduo é tanta, que a pessoa adoece. Eis a mais perversa guerra que passamos em todos os séculos: A Milenar Guerra da Prescrição Ideológica.
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No lugar de pessoas sendo humanas, admitindo suas fraquezas e o desconhecimento de um livro qualquer - afinal quem vai ler a Divína Comédia do começo ao fim? - há de se ser soberano ou profundamente ignorante em tudo. As manifestações são, com algumas raras e boas exceções, são prescritas por outros que são julgados maiores, mais sábios. Como se liga para um médico para pedir receita para medicamento controlado, faz-se com as idéias! Eu tenho grande costume em procurar opiniões de outros, contudo para formar o meu conceito; Para verificar uma hipótese. Mesmo que a opinião formada porventura seja um clone do julgamento requisitado. E a doença principia por aí: Recorrer a outrem pode trazer grandes benefícios, contudo pode gerar edema emocional e causar dependência. E os sintomas são imperceptíveis porque são considerados normais: A pessoa acometida dorme bem, tem relacionamentos longos, tende a trabalhar no mesmo lugar por muito tempo, não gostam de filosofia e poesia, lêem pouco, e potencialmente acham que linhas como estas são descomedidas.
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Mesmo na escrita e no discurso, existem alguns vícios que são altamente prejudiciais ao desenvolvimento humano. Como lêem pouco, assistem apenas televisão cuja informação é um subproduto do entretenimento, pessoas são muito as mesmas falando ou escrevendo. Em uma sala de aula, já corrigi provas com dezenas de respostas iguais. Ok: Copiaram, os coitados são vítimas de um sistema de aprendizagem altamente improdutivo e todos somos cúmplices passivos do delito. Contudo por todo Brasil escutar as mesmas coisas? Vejam só: Faz poucos dias escutava uma sujeita a falar de outra pessoa; Segundo a emissora a personagem do assunto era “frio e calculista”. A questão é que eu conheço a pessoa e compreendo a alcunha de frio. Contudo, calculista é deveras exagerado! Mas hoje um brasileiro não pode se dar ao luxo de ser somente frio, ele receberá o fardo de ser, também e na mesma proporção, calculista. Viraram adjetivos compostos essenciais. É como descrever um inverno como: “(...) Foi um longo inverno”. Duvido que haja alguém que não tenha se lembrado de “tenebroso”. - Ué, cadê o tenebroso? O inverno, pobre dele, não pode ser apenas longo? Tem que ser longo e tenebroso ao mesmo tempo. Conseqüências da guerra.
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Vejo que o mundo parou. Evoluímos até o ponto em que optamos por trabalhar na evolução de outras coisas. Pouco me faz sentido que a pólvora tenha sido inventada antes de uma aspirina. Todavia, o que menos faz sentido são as aberrações dos investimentos do mundo no desenvolvimento de coisas: Em motores mais rápidos, bebidas mais fortes e cigarros mais fracos e na economia estúpida no desenvolvimento do humano. Ao contrário, estamos nos matando com tanta emissão de gases tóxicos e o uso excessivo de água. O mundo se preocupa com a sexualidade dos outros, preocupa-se em comprar as coisas mais para mostrar que tem algum, enquanto investe tempo em falar mal de outras culturas porque eles fazem “errado”. Agora mesmo ao fim deste triste diagnóstico particular, imagino que entre os leitores haverá os que vão reduzir o escrito por alguma forma mais cômoda de entender o conteúdo: “Ele é veado”. Pronto! Temos o preconceito no lugar da curiosidade. E, para mim, o mundo parou. Ou não...
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Luiz Felipe Angulo Filho

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Em resposta

Consigo ouvir.
Mesmo que rouco, cético e pouco
Posso ouvir.
Ainda que incompletas as preces tuas,
Além disso, ouço-as.

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Não há silêncio onde a vida dura,
Porquanto, ouço-te;

Sem rasuras de ressentimento
Dou-lhe castigo e contentamento
Como emudecido suplica

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Todavia há o inverso:
É teu todo meu discernimento
Quando jamais golpeies um verso.
Ouço-te, portanto, com picardia:
Amanhã foste um dia descrente d´alma
Não obstante, expeço imediata tua calma
Enquanto apressa-se em fazê-la poesia.

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Luiz Felipe Angulo Filho
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