quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Poema sem fim

Somente ao fim do poema
Saber-se-á de nada.
Ao fim desta dor
Meu corpo se compromete
Em manter-se dolorido
E os saberes em tê-la perdido
Trará dores a outro coração
E continuarei esperando,
Sobretudo se tiveres envolvido enfim
Na abertura de um romance e ansiando
Novas dores de um sentimento sem fim.

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Luiz Felipe Angulo Filho

sábado, 21 de novembro de 2009

Identidade

Ser eu mesmo é uma atividade tão só...
Eu que sou de forma tão unicamente eu próprio
Tantas vezes solitariamente eu, que não sou outro

Sou, portanto, incompreendidamente eu
Exaustivamente, todo o dia que principia
Vou eu a ser eu ainda:
Eu que tenho verdades distintas e posso somente eu conduzi-las
Eu que tenho saudades de outro tempo em que ser eu era distinto

Eu que me aproprio das decisões de como ser eu
Eu que escrevo poesias na tentativa de comover outros, que não eu, ao pesar de ser eu mesmo
Eu cuja eventualidade de não ser eu próprio passa-me pela idéia
Eu que conduzo meu corpo sem auxílios e que não tenho opção que não seja ser eu próprio

Ser eu mesmo é uma atividade tão só...
Eu em que minha poesia é minha maior companhia
Eu cujo temperamento não condiz nenhum fundamento

Eu que só tento ser correto por haver alguém por perto
Eu cuja idiotice corresponde-me ao desgaste desta incontestável mesmice
Eu cuja maior rebeldia é eu ter que ser eu sem haver, todavia,

Qualquer tipo de variação, que não seja eu ter que ser eu novamente por todos dias.
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Luiz Felipe Angulo Filho

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Enviada de Deus

Quando choras em meu ombro consorte
Carregado pelos casos do mundo
Se me queres libertar-te de sorte
Quando choras em meu ombro imundo
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O choraste em valente cobiça
Vide uma vida de vida não vi
Contentas-me em tirar-me de artista
Quando em meu ombro choraste e sorri

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Luiz Felipe Angulo Filho

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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Eu

Eu, devoto de São Francisco Buarque,
Poeta de precários arrazoados de juízos tantos,
Freqüentemente estático,
Ensaio uma prece de confissões de não cortesia aos dogmas do catolicismo.

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Porquanto creio eu estar em estado de isolamento cruciante,
Cujos afetos mais legítimos são-me a poesia e a angustia
Descuro normas meramente sociais em razão aos sentidos que tenho
E tento equilibrar em mim mesmo o que trago de estupidez e astúcia

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Justo eu?

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Eu em que minha prece aprecio tanto a imprecisão das prioridades,
A desejar secretamente enfermidades para os quais não guardo simpatia
Em particular aos marginais que sobrecarregam os encargos sociais
Contudo ordeno flores infindas às personagens de minha poesia

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Justamente eu...

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Castigado desde a infância com a afronta dos sentimentos
Ponho-me a descontar em poemas os conflitos tantos de meus alentos.

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Luiz Felipe Angulo Filho
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Poesia da companhia definitiva

Estava eu sentado neste acento fastidiosamente prosaico
Mirando a vista de todo dia, desconfortavelmente breve.
Todas as cousas exatamente em seus espaços de origem,
As cousas quais tinha eu me apropriado por tê-las contemplado há mais tempo.
Éramos eu e o acento. (E a vista, naturalmente...)
O impudico coração de poesia que tenho, estava a se controverter em demência,
Em debater-se em movimentos inexplicavelmente ásperos enquanto eu simplesmente existia...
Entregando ao meu corpo o efeito de saudade
Era eu e o acento, todavia; Não havia nenhuma ausência
Quem já era de minha ciência tinha comigo alguma deidade
Contudo, era isso!
Como eu - e o acento - não havíamos nos dado conta de que recebíamos a touca de uma silhueta?
Um contorno cuja precisão ao invés de prosaica, apresentava-se púbere;
As divindades guardadas em poesias, já escritas pelas minhas mãos, ganhavam razão:
Como pudera meus dedos ter produzido poesias de afeto, sem que tivera tido aquela inspiração?
Era eu muito só, a ausência talvez fosse meu estro; Ou o acento que me suportava, dava-me as palavras que eu procurava, entretanto nada disso importava....
No entanto, foi o tempo. Ele sim, o tempo! O tempo deu-me uma exaustiva pretensão de sair amando e escrevendo poesias, no entanto não era indicado. Tinha de ter muito cuidado: Não sei que movimento tomaria a sombra que está por de trás de mim e do acento, caso me erga; caso me vire em seu sentido.
Porquanto abri um papel da algibeira e produzi este verso.
Notava que a sombra mantinha-se intacta e sem vê-la a expressão, amava-a em alento.
Era o tempo... O tempo que me trouxera a razão, em ter meus sentidos todos comovidos em sepultar o juízo e virar-me com a poesia rabiscada e oferecê-la a quem tinha - de fato, o crédito das passagens de amor que em favor ao meu temperamento, respeitei o ditado dos versos soprados por quem o produz, pela sombra de outrora que agora ela luz.

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Luiz Felipe Angulo Filho
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Moças, Moços (Mundo Moderno, melhore)

Menosprezo maravilhosas moças milimetricamente mentirosas, mercenárias, melodramáticas. Meninas mostram-me migalhas. Mesmo moças matutinas, mediando músculos, menoscabando matérias. Microorganismos médios muito molestados! Muitas mulheres magníficas, mulatas, mutiladas moças magrelas, macias, mudam minorias manipulando momentos, mascaram-se meninas, mulheres miúdas...

Muita maquiagem, mão-de-obra melindrada: Mercadoria. Magoando-me mostrando marasmo, missão modelada. Metabolismos maltratados mesclam meticulosamente mitos. Miniaturas miseráveis ministram moléstias, monarcas monitoram maciçamente medindo mordaça. Mostrando multidões, menos mulheres.

Melodias mal maestradas multiplicam massa; Menosprezam músicas! Malabarismos malcriados, malvistos... Machos, Moças, muitos mamíferos mancos manobrando milhares. Material marginal massificado; Marquises, mastros mostrando monstros, mini-saias, menos roupa, menos meditação, mesmice maçônica. Materialistas, muitas, muitos...

Meras miçangas multimilionárias mediam métodos mais monstruosos... Mulheres meio-fio. Mulheres menos maternas, marotos menos merecedores mastigam morbidamente modos. Meia-noite metem-se mirando mundo. Medulas medonhas mal mexidas medram meu modo.
Misericórdia... Malemolência... Mentira.

Luiz Felipe Angulo Filho

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Enunciado

Espalmo minhas mãos e forço-as a correr pelos cabelos que tenho
Retiro os pensamentos tantos de um dia longo e de uma vida tão curta:
Já é madrugada.
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As notícias não respeitam horários e mesmo tarde, persistem.
Minha letargia modelar dos que fazem poesias é interrompida
Os ruídos chegam-me e desconstroem moradas,
Ou ao menos tentam.
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Coloco-me em atitude de dúvida ao ouvir os barulhos que vêm de fora
Quero saber se algum deles é de sua propriedade?
Meus próximos se juntam e ameigam minha presença trazendo-me relatos dos que já foram,
Amigos, pessoas e embustes, concluem o dia que se estende...
Quantas horas, Deus, há de caber neste dia?
Podes deslocar todo este tempo incerto para o tempo de minha poesia?
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A rua por esta hora já não traz tanta gente, queria poetizar em voz alta
Talvez para entender se os versos inspiram ou arruínam sensações
Desconheço a gravidade de meus sentimentos, aprecio, contudo, as intenções.
Eis que de forma imprevista, meu imo manifesta-se em favor ao meu estro:
- Desejo produzir poesia sim! Entretanto esta única terá apenas abertura; Não fim.
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Vida prosaica... Entrega-me poemas e retira-me vidas, outras, traz-me – agora – o meu último amor.
Ah... A madrugada.
Esta estação de já ter cumprido o dia;
De ter produzido coisas de todas as naturezas e, igualmente, reconhecer autoria.
Vida poesia, vida que for...
Admita-me: Sabes que de um poeta podes esperar tudo, exceto aguardar desamor?
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Dádiva de uma deidade briosa, meus olhos não obstam em manter-lhe nas vistas quando cerro as pálpebras. Miro-a em meu caminho já por esta madrugada:

O dia acabou.
O astro que nos alumia recolheu-se em respeito à noite enevoada
A noite adormeceu... E fiquei eu: Eu e a madrugada
Alva que não me trai e acompanha-me por toda ela,
Será ela, alvorecer de minha origem contumaz
Peço que sim... E nada mais.
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Luiz Felipe Angulo Filho