Tenho sentido falta de um pouco de humor. Não especificamente aqui, no blog, mas na vida: No trabalho, onde há uma orientação excessivamente direcionada para a produção. Nas famílias, quando nos preocupamos e cuidamos indiscriminadamente de tudo e todos; Nos problemas e nos nossos defeitos rotineiros; E na poesia, onde o amor e a dor ganham maior espaço. Portanto, boa leitura:
"Minha esposa e eu temos o segredo pra fazer um casamento durar.
Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa,uma boa bebida, e um bom companheirismo: Ela vai às terças-feiras, e eu às quintas.
Nós também dormimos em camas separadas. A dela é em Maceió e a minha em São Paulo.
Eu levo minha esposa a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta.
Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento.
''Em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!'' ela disse. Então eu sugeri a cozinha.
Nós sempre andamos de mãos dadas. Se eu soltar, ela vai às compras.
Ela tem um liquidificador elétrico, uma torradeira elétrica, e uma máquina de fazer pão elétrica.
Então ela disse: ''Nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar''.
Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica.
Lembrem-se.... O casamento é a causa número 1 para o divórcio.
Estatisticamente, 100 % dos divórcios começam com o casamento.
Eu me casei com a ''Sra Certa''. Só não sabia que o primeiro nome dela era ''Sempre''.
Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
Mas tenho que admitir, a nossa última briga foi culpa minha.
Ela perguntou:''O que tem na TV?'' E eu disse, ''Poeira''.
No começo Deus criou o mundo e descansou. Então, Ele criou o homem e descansou.
Depois, criou a mulher. Desde então, nem Deus, nem o homem, nem o Mundo tiveram mais descanso."
Luís Fernando Veríssimo
Proporcionar a todos os usuários e fundamentalmente para mim, um módico arquivo digital de cultura. Esta é a razão de ser deste Blog. Intervenções precisas, como fez Camões, sem manter um verso em falso; Lamentos de amor de Vinícius, em prosa e verso, falado e cantado; a Esquizofrenia contagiosa de Pessoa; as letras soberanas de Chico Buarque; Os conselhos ditados por Drummond; E por fim, algumas das bestialógicas quais produzo em linhas pretenciosas, todavia bem intencionadas.
domingo, 25 de março de 2007
terça-feira, 20 de março de 2007
Moço Velho
Insisto em algo que tenho dito repetidas vezes por aqui: Não há quem não goste de poesia. Há quem não conheça, quem não tenha encontrado seu gênero ou quem, ainda, não tenha se identificado com um autor. Mas a arte - música, poesia, cinema - nos retrata exatamente fatos reais. Mesmo quando há elementos abstratos, nossos sentimentos são acionados e, com isso, nossa memória, nossas sensações. Isto define, de uma forma generalista, nosso gosto pela arte. Na minha opinião, tudo ganha ainda mais expressão quando nos encontramos. Quando lemos algo nosso, escrito por outro (a). Quando descobrimos sentimentos nossos, descrito pela música, pela arte. Imagino que seja um papo chato para quem não tenha, ainda, se encontrado, mas vale a dica: Não há quem não goste de poesia.
Eu sou um porto amigo sem navios,
um mar abrigo a muitos rios,
eu sou apenas o que sou
Eu sou um moço velho, que já viveu muito,
que já sofreu tudo e já morreu cedo
Eu sou um velho moço que não viveu cedo
que não sofreu muito e não morreu tudo
Eu sou alguém livre
Não sou escravo e nunca fui senhor.
Eu, simplesmente,
sou um homem que ainda crê no amor."
"Eu sou um livro aberto sem histórias,
um sonho incerto sem memórias,
do meu passado que ficou.
um sonho incerto sem memórias,
do meu passado que ficou.
Eu sou um porto amigo sem navios,
um mar abrigo a muitos rios,
eu sou apenas o que sou
Eu sou um moço velho, que já viveu muito,
que já sofreu tudo e já morreu cedo
Eu sou um velho moço que não viveu cedo
que não sofreu muito e não morreu tudo
Eu sou alguém livre
Não sou escravo e nunca fui senhor.
Eu, simplesmente,
sou um homem que ainda crê no amor."
Silvio César
sexta-feira, 16 de março de 2007
:: INDEFINIDO CAMINHO (percorro)
"Os períodos se encarregam em mostrar o que não importa
Criamos dificuldades na posta da rotina qual não nos envaidece,
Mas não mata, nem sequer fere; Apenas incomoda.
Encontro o ar que meu corpo requer,
Mas desdenho...
E desvio minha culpa para outro lado qualquer
O lado do cheiro da analogia que fizeste
Não és minha por um genuíno acaso
Por mau senso, desencontros e não desamor
Mas se foras, seguirás sempre minha, não importa o que for
Se não fores é porque nunca teve meu caso
Tu, então, te importas com o medo
Eu, agora, me importo com a flor.
Minha rainha de nome qualquer, sabes o quanto espero por ti?
De tudo que tive, fiz-me discente das iras do mundo que falam por si.
Sempre te tive sem ao menos chorar,
Criamos dificuldades na posta da rotina qual não nos envaidece,
Mas não mata, nem sequer fere; Apenas incomoda.
Encontro o ar que meu corpo requer,
Mas desdenho...
E desvio minha culpa para outro lado qualquer
O lado do cheiro da analogia que fizeste
Não és minha por um genuíno acaso
Por mau senso, desencontros e não desamor
Mas se foras, seguirás sempre minha, não importa o que for
Se não fores é porque nunca teve meu caso
Tu, então, te importas com o medo
Eu, agora, me importo com a flor.
Minha rainha de nome qualquer, sabes o quanto espero por ti?
De tudo que tive, fiz-me discente das iras do mundo que falam por si.
Sempre te tive sem ao menos chorar,
Chorei depois, nesta hora infinda de mim
Os tempos trarão nossos tempos, que sem fobia
Os tempos trarão nossos tempos, que sem fobia
Trar-nos-ão o que foi-nos outrora, ou não."
Luiz Felipe Angulo Filho
segunda-feira, 12 de março de 2007
:: Vivi como me ensinaram...
Vivi como me ensinaram. Procurando. Engatando relacionamentos para o resto
da minha vida, encontrando amigos que envelhecerão comigo e conhecendo pessoas
que, por algum motivo, trarão sentido para alguma coisa a qual eu não sei o quê.
Errei, pois todos o fazem. Aprendi com os erros e persisti como recomendam; Hesitei
o acordo, inventei promessas e me fiz personagem de uma história de todos:
Perfeita. Tentei, absolutamente em vão, encobrir o rasgo de minha calça. Assim
como o fiz com a seda falsa da bailarina, menti – pra mim – e
acreditei.
Onde estão as personagens do sempre? Do resto da vida?
Posso retornar o contato e cobrar, então, o amor que me prometeram? Afinal, era
para o resto de minha vida! Está valendo, em vigência. É um contrato vitalício
que, imagino, só possa ser rompido por fraude ou descumprimento
de alguma cláusula. Eu não o fiz: Paguei minhas contas, fui honrado ao contrato.
E os amigos de outros tempos, estes ao menos não abusaram das promessas, mas
sonharam. Eu sonhei. Dentro daquela história compreendiam-se amigos de verdade,
poucos, mas eternos; Uma bela moça – a mais bonita – e paz
absoluta..
Vivi como me ensinaram. Não sei quem, não eu, nem você,
alguém. Todos! Procurei ser menino e abusei da meninice, coloquei-me como adulto
e exagerei na dose. As pessoas já se foram, exceto aqueles que o relato
subestima. Acumulei promessas, minhas, dos outros, todas pra sempre. Umas outras,
inclusive, “até a morte” ou “ até o último dia da minha vida”. Um punhado de
contratos falados impunemente me autorizando e confortando-me, de modo que em
qualquer lugar, independente de onde esteja eu devo contar com eles. Amores e
amigos.
Confundo o que é história e o que é mentira. Ladainha,
lengalenga, cantilena – Lábia mesmo! Ilusão, talvez seja mais apropriado. Mas
exclusivamente para quem está de fora ou curado do exagero de realidade, até
este ponto é mentira mesmo e das feias! Rude, estúpida e inconseqüente mentira.
De todos! Para o resto da vida? - Não, obrigado. Sei que não tens a me oferecer.
Ninguém. Nem eu pra ti. Podemos negociar algo mais a curto prazo e, adianto, a
duração desta história será inversamente proporcional ao menor número de
mentiras, ladainhas e lengalengas. Quanto menos engodo, mais tempo teremos.
Portanto, se for para ser para o resto da vida, que não haja este
comprometimento. Assim, talvez, realmente aconteça.
Luiz Felipe Angulo Filho
quarta-feira, 7 de março de 2007
Fernando Pessoa
Minha avó já dizia o que eu iria sentir. Via que éramos semelhantes, mesmo de muito garoto. De algum modo soberano, previu pelo que eu me interessaria e, também, o que me faria sofrer: As mesmas coisas que ela.
Tenho um livro antigo (antigo mesmo) de Fernando Pessoa, que de certo foi de minha avó. Tentei achar em algum lugar o ano da publicação, mas não achei. Imagino que tenha, no mínimo, uns 40 anos. Entre as poesias de Pessoa, há algumas marcadas - Com um pedaço de papel rasgado cuidadosamente (Este papel, quase tão antigo quanto o próprio livro). - Gosto de imaginar que, pacientemente, trata-se de uma indicação da antiga dona para mim. Essa poesia abaixo é uma delas.
Sol nulo dos dias vãos,
Cheios de lida e de calma,
Aquece ao menos as mãos
A quem não entras na alma!
Que ao menos a mão, roçando
A mão que por ela passe,
Com externo calor brando
O frio da alma disfarce!
Senhor, já que a dor é nossa
E a fraqueza que ela tem,
Dá-nos ao menos a força
De a não mostrar a ninguém!
Fernando Pessoa
Tenho um livro antigo (antigo mesmo) de Fernando Pessoa, que de certo foi de minha avó. Tentei achar em algum lugar o ano da publicação, mas não achei. Imagino que tenha, no mínimo, uns 40 anos. Entre as poesias de Pessoa, há algumas marcadas - Com um pedaço de papel rasgado cuidadosamente (Este papel, quase tão antigo quanto o próprio livro). - Gosto de imaginar que, pacientemente, trata-se de uma indicação da antiga dona para mim. Essa poesia abaixo é uma delas.
Sol nulo dos dias vãos,
Cheios de lida e de calma,
Aquece ao menos as mãos
A quem não entras na alma!
Que ao menos a mão, roçando
A mão que por ela passe,
Com externo calor brando
O frio da alma disfarce!
Senhor, já que a dor é nossa
E a fraqueza que ela tem,
Dá-nos ao menos a força
De a não mostrar a ninguém!
Fernando Pessoa
segunda-feira, 5 de março de 2007
Futuros Amantes
"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você "
Chico Buarque
sexta-feira, 2 de março de 2007
A Implosão da Mentira
Fragmento 1
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Affonso Romano de Sant'Anna
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